Agência Cívica de Rating

Os bancos são fundamentais na vida das pessoas, empresas, organizações e governos: empréstimos à habitação e empresas; poupanças; seguros; educação… As nossas vidas passam pelo sistema financeiro.
Em 2007 deparámo-nos com uma crise muito dura que teve origem no sistema financeiro. O seu efeito dominó arrasou vidas de pessoas, empresas, bancos e economias nacionais, como bem sabemos em Portugal.
Descobrimos um mundo obscuro com um impacto real muito além dos filmes de Hollywood. Percebemos como o sistema financeiro está globalizado e interligado, é muito pouco transparente e criou uma linguagem complexa para poder esconder as suas falhas que são, nas suas próprias palavras, tóxicas. 

Em 2017, só em instrumentos derivados (Swaps, CDOs, etc.) negociados apenas entre eles, os bancos detinham 7,5 vezes do valor do PIB Mundial (80 biliões $US), isto é, cerca de 600 biliões $US.

Investigações como os Panama Papers vieram expor como este ecossistema existe em paralelo connosco, onde tráfico de influências, offshores, desregulação, corrupção, entre outros, são uma realidade palpável da qual sabemos tão pouco, apenas que têm um alcance, poder e escala enormes. Cá em Portugal temos por exemplo o BES, com todas as consequências e ramificações com o poder político, economia, dívida pública e para os lesados.
Estes crimes são difíceis de provar pela sua natureza deliberadamente complexa, obscura e com impacto no bom funcionamento das instituições. Sim, das instituições democráticas que tanto prezamos.
Tudo isto parece demasiado grande para o comum dos mortais, gerando alienação ou frustração. É por isso que precisamos de mecanismos independentes que nos ajudem a interpretar, descodificar e monitorizar a situação. Só assim podemos ter democracias mais fortes e fazer escolhas informadas sobre serviços financeiros. 

Felizmente tem havido iniciativas internacionais que procuram dar esta resposta.
Em Portugal temos a Agência Cívica de Rating. Ao contrário das agências privadas como a Moodies, etc., esta é uma iniciativa cidadã e independente com valores distintos.

O seu objectivo é criar uma ferramenta que permita perceber melhor tudo isto através de uma análise de actores relevantes do sistema financeiro português. Esta análise cria uma pontuação (rating) de acordo com vários indicadores. Estes indicadores têm como critérios a preocupação desses actores com o financiamento da economia real: famílias, empresas e projectos viáveis que têm em conta o seu impacto na sociedade (como a criação de emprego e o ambiente); conflitos de interesse, nomeadamente na contratação de pessoas vindas de cargos públicos, entre outros. 

Esta agência está em fase de finalização e vai permitir-nos maior autonomia e poder: 

    • Enquanto clientes ajuda-nos a escolher de forma informada e autónoma a quem confiamos o nosso dinheiro. 
    • Enquanto cidadãos dá-nos poder através do escrutínio e transparência sobre o sistema financeiro e as instituições que nos governam. 

Este pode ser um importante instrumento de participação cidadã, algo que tanto falta em Portugal, ao descodificar e permitir uma análise crítica e escolhas informadas. Mas esta iniciativa vai precisar da nossa acção para ser relevante, precisa que sejamos agentes de transformação. Nada irá mudar se não formos exigentes para defender instituições transparentes e justas.
Para apoiar há várias formas, visita a página da Agência Cívica de Rating.

Escrito por Francisca Baptista da Silva

Este conteúdo está apenas disponível em português.

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